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terça-feira, 6 de março de 2012

Músicas para rogar praga em ex

Pessoas iniciam e terminam relacionamentos o tempo todo, no mundo todo, a cada dia em maior quantidade, intensidade e variedade de desfechos. Mas algo que não se pode deixar de notar é que - sempre e invariavelmente - o portador das nádegas encontra meios de sinalizar sua insatisfação para o portador do pé. Canções (sobretudo as mais adocicadas) gravadas, enviadas por e-mail, postadas no Facebook, enfim, são sempre muito requisitadas nestas deprimentes ocasiões.

Este playlist é inspirado em uma matéria que "linkei" no facebook há pouco tempo, acerca das razões que levam os ouvintes de canções como Someone like you, da musa-relâmpago britânica Adele, ao pranto descontrolado. 

O fato é que andei prestando atenção na referida e pegajosa cantilena e fiquei impressionada com a falta de amor próprio da moçoila (que ainda declara publicamente que suas composições foram todas motivadas por fatos de sua tenra vida amorosa). Espiem:

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg
I remember you said:
"Sometimes it lasts in love, but sometimes it hurts instead"

Vejam vocês, na canção, a garota declara que - não bastasse ter sido abandonada pelo bofe e substituída por alguém "mió"  - irá encontrar ALGUÉM COMO ELE!!! Fala sério, que nojinho! Não seria minimamente digno desejar alguém melhor?

Surpresa com tamanha derrocada de autoestima, fui beber na fonte do precioso cancioneiro popular brazuca. Afinal de contas, se tem uma coisa que a nossa gente sabe, é dar a volta por cima.

Vejam que beleza este exemplo atemporal composto pelo velho Chico:

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando,
Me pego cantando, sem mais, nem por quê.
Tantas águas rolaram,
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você.

Ahhh... agora sim! Tudo bem que o eu lírico aqui, assumidamente mulherzinha submissa, não consegue deixar de pensar no ex-amado. Mas, pelo menos, concentra-se em deixar bem claro pra ele que seus sucessores a amaram "mais e melhor". Assim pode...

Um outro mandinguento de plantão é ex-cabeludo Rei Roberto... na célebre Detalhes ele até aceita o fim do romance, mas elenca um rol de minúcias de deixar qualquer detalhista enlouquecida e sem saída nos próximos 150 anos.

Vejam que audácia:

Não adianta nem tentar
Me esquecer
Durante muito tempo
Em sua vida
Eu vou viver...
(...)
Se um outro cabeludo
Aparecer na sua rua
E isto lhe trouxer
Saudades minhas
A culpa é sua...

O interessante aqui é a progressão na praga que ele roga: primeiro o cabelo, depois o ronco do carro, a calça desbotada, os sussurros no ouvido, o retrato, o toque do outro no corpo dela e, enfim, a PRAGA MASTER:

Pensando ter amor
Nesse momento
Desesperada você
Tenta até o fim
E até nesse momento você vai
Lembrar de mim...

Ou seja, a pobre coitada não estará livre de pensar no ex-afeto nem na hora "H". Não estou certa se é um caso de extrema pretensão ou imensa crueldade. Ou ambas. De qualquer forma, ao detentor da bunda, melhor desejar maior má sorte ao outro do que desejar um clone dele no futuro, não é mesmo?

É verdade que essa praga de canção de dor de chifres e com altos índices glicêmicos reside até na high art da nossa MPB. Então, para encerrar este breve tópico, o mestre Tom Jobim declara a sua total, absoluta e irrestrita incompetência para virar a página:

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...

Chuta, que é macumba esta memória!

Pois então, é isso! Talvez Adele tenha optado por compor uma canção na condição de vítima da pragra grudenta do não esquecimento pois músicas para rogar pragas em ex já há aos montes. Você se lembra de mais alguma?

* ATUALIZAÇÃO: Por sugestão de uma amiga, faço a seguinte ressalva: Adele, Chico, Roberto (em parceria com Erasmo) interpretam composições próprias. Tom, para quem não sabe, interpreta parceria com Vinícius de Morais. A letra da canção é do poetinha, célebre pelos derramamentos.
** Os vídeos inicialmente postados aqui foram removidos após a divulgação de cobrança feita pelo ECAD pela retransmissão de material disponível no youtube. Meu salarinho de professora não me permite correr este risco.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Apresentação


"Os Cães de Santiago"  é o título para um romance ainda não escrito. Preferencialmente, que verse sobre a desumanidade (e possivelmente jamais escrito por mim, já que a prosa de ficção, para além de minhas atividades acadêmicas, jamais me pareceu matéria para a qual eu tenha qualquer habilidade). Estive em Santiago em julho de 2011 e notei por lá uma quantidade impressionante de belos e enormes cães errantes. Doces, elegantes e simpáticos andarilhos. Aos quase 35 anos, já não tenho pudor nenhum em admitir que minha admiração e afeto pelos não humanos suplanta qualquer traço dela que eu nutra pelos próprios. Ocorre que, em uma tarde daquele julho, sentada em frente ao Mercado Municipal da capital chilena, um perro enorme veio acomodar-se sossegadamente bem aos meus pés. Pensei n'Os Cães de Santiago como um belo título, fosse para o que fosse.

Procurei este espaço pela absoluta impossibilidade de abandonar a minha vida virtual, por menor que seja o tempo disponível. Nos últimos dias, venho experimentando uma espécie de crise de abstinência. Hábitos são hábitos. Minhas leituras matinais, o flanar pelas informações culturais, os pitacos no comportamento alheio, as dicas de filmes, os poemas preferidos, as canções e imagens que me tocam, enfim, tudo o que vinha circulando nos últimos três anos no meu perfil do Facebook recentemente deletado deve aparecer por aqui. É a minha primeira experiência como blogueira e tenho a impressão de que será mais livre, menos engessada nos padrões das redes sociais. Sinto uma espécie de necessidade de amadurecimento autoral, algo como uma seriedade descompromissada, mas que, contraditoriamente, se origina na crença narcísica de que tenho um compromisso com aqueles que antes me "liam" e que abandonei. Ninguém torna públicos seus pensamentos e sua rotina se não dispõe disso, mas creio que ainda seja cedo para classificar ou nomear qualquer coisa. Talvez este novo contexto me estimule a escrever mais, "ensaiar" mais, para além dos recortes e elencos que venho realizando. Afinal de contas, foi o prazer em escrever o meu primeiro impulso na direção da formação que me fez profissional das Letras. Em algum canto de mim, tantos desencantos depois, ele ainda respira.

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Tento pensar para além do senso comum. Em alguns dias sou mais feliz nisso do que em outros. Quem eu sou não pode ser definido pelo que tenho feito apenas e, francamente, é o que menos importa. Entretanto, para quem quer saber sobre o meu trabalho, o caminho oficial é o http://lattes.cnpq.br/2396739928093839